Comprar ou Alugar? Qual a escolha certa para mim?

Um dos maiores pontos de divergência existentes no mercado imobiliário é em relação ao que vale mais a pena: comprar ou alugar um imóvel? Como a maioria das perguntas, essa também não tem uma solução mágica, sendo que a única resposta correta é: depende.
Apesar da decepção que essa resposta pode trazer, é bem claro o seu motivo. A compra de um imóvel depende muito do momento em que o comprador se encontra, quais são seus planos e objetivos e muitas vezes, essa decisão é guiada por motivos não-financeiros. Um exemplo desse motivo é a estabilidade que um imóvel próprio fornece, servindo de porto-seguro em situações de emergências financeiras. Em paralelo a isso, existe também a liberdade de personalização que não é possível ser realizada em imóveis alugados.
No entanto, os motivos financeiros são os que costumam mais pesar na decisão. E não são apenas as condições financeiras do comprador que influenciam nisso. O momento da economia também interfere muito nessa tomada de decisão, a variação de taxas de juros, assim como a situação da inflação no país podem sugerir uma oportunidade única de realizar um negócio.
Um dos principais pontos de pessoas que optam por viver de aluguel e não comprar um imóvel, mesmo que à vista, é que o comprador poderia pegar o dinheiro que seria usado para a compra do imóvel e investi-lo. E para que isso seja interessante, é preciso optar por um investimento que tenha um rendimento suficiente para pagar o aluguel.
Atualmente, em São Paulo, é comum que o montante dos aluguéis de um imóvel acumulados durante um ano completo, represente cerca de 5% do valor total do imóvel. Ou seja, uma pessoa que aluga um imóvel de R$500.000 deve pagar durante um ano, aproximadamente R$25.000 de aluguel, que corresponde a pouco mais de R$2.000 por mês. Então, para que o cenário de pagamento de aluguéis com o rendimento de um investimento se cumpra, é preciso encontrar um investimento que renda mais do que os 5% citados anteriormente.
Acontece que com as recentes baixas da taxa SELIC, que atualmente se encontra em 2%, muitos dos investimentos mais seguros, com liquidez que permita a resgate todos os meses, tiveram uma desaceleração muito grande em seus rendimentos. Um exemplo desses investimentos é o Tesouro SELIC, que apesar de possuir liquidez diária, se investidos um total de R$500.000, renderia cerca de R$10.000 em um ano completo, inviabilizando o pagamento do aluguel de cerca de R$2.000 por mês.
Para atingir melhores resultados de rendimento, a pessoa teria que optar por outras modalidades de investimento, como compra e venda de ações. Entretanto, essa não é a realidade dos brasileiros: Hoje, estudos apontam que existem apenas cerca de 2,5 milhões de CPFs cadastrados na bolsa de valores. Além disso, o risco envolvido nesse tipo de investimento, exige que o investidor tenha um sólido conhecimento sobre o assunto, fazendo com que esse tipo de atividade permaneça restrito à uma pequena parcela da população.
Todos esses fatores relacionados a rendimentos influenciam também para compras de imóveis através de financiamento imobiliário. Assumir um financiamento é uma atividade que demanda um planejamento muito bem estruturado, pois o compromisso é de longo prazo (muitas vezes maior que dez anos) e o valor das parcelas pode impactar a saúde financeira familiar. Em adição à esses fatores, é necessário ter em mãos o valor da entrada, demandando que o comprador já tenha poupado uma parte de sua renda antes de decidir comprar o imóvel.
No entanto, considerando uma pessoa que não tenha a possibilidade de realizar a compra de um imóvel a vista, e, juntamente a isso, não possua uma cultura de investimentos, principalmente em títulos mais arrojados que lhe forneçam o rendimento mencionado anteriormente, é preferível que ela utilize o dinheiro destinado ao pagamento dos aluguéis para o pagamento das parcelas do financiamento. Afinal, nesse cenário, ela estará pagando por um bem que será dela após o fim das parcelas, permitindo que ela o customize como bem entender, além de propiciar a ela uma segurança única que só um imóvel próprio pode oferecer.
Além disso, hoje em dia é possível optar por maneiras mais saudáveis financeiramente de adquirir seu imóvel próprio. Uma delas é o consórcio, muito indicado para pessoas que desejam realizar a compra do seu imóvel, porém não precisam que essa transação ocorra em um curto prazo.
Uma coisa é certa, seja para alugar ou comprar um imóvel, assim como em qualquer outra importante transação na vida, é essencial ter organização sobre o seu dinheiro e realizar um ótimo planejamento. Qualquer decisão impensada, seja alugando, comprando à vista, ou financiando um imóvel, corre o risco de trazer uma grande dor de cabeça para a pessoa que está realizando a aquisição.
É importante avaliar todas as variáveis que possam influenciar nessa decisão: Quais são seus planos e objetivo a médio e longo prazo? Onde você pretende morar daqui alguns anos? Como a economia atual e sua situação financeira podem influenciar nessa tomada de decisão?
Todas essas perguntas são muito individuais e cada um tem uma resposta para elas, no entanto, é muito importante que você as responda para que a decisão tomada seja a melhor possível na sua situação.
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